Meditaçao e autoconhecimento
Foi inevitável: .lembranças, lembranças e mais lembranças... E além de lembrar, eu me lembro do motivo que fez eu me esforçar tanto para para esquecer.
Se hoje não consigo guardar nada, tenho essa memória tão volátil é porque eu decidi que seria melhor assim, consigo me lembrar perfeitamente dos meus esforços para apagar da mente tantos fatos dolorosos, eu insisti tanto em esquecer, que acabei não me lembrando de nada.
Cada pequena recordação que vem à mente, traz muita dor e angústia, e automaticamente tento afastar esses pensamentos.
Como estou decidida e motivada na busca por minha cura, procurei a meditação, apesar do pouco contato, minha experiência foi muito positiva e ajudou-me quando tratei a depressão, em 2014. Passei a meditar utilizando vídeos do youtube, e as sugestões de vídeos levaram-me a pesquisar mais sobre o assunto, entretanto, sou uma borderline, e só sei fazer as coisas intensamente, então fui estudar muito a fundo, e esbarrei no budismo consequentemente.
Assisti algumas palestras budistas e, além da prática da meditação, atraiu-me à busca por conhecimento de Buda, principalmente quando eu li que, como eu, ele não se conformava em aceitar o sofrimento como forma de vida, e nem aceitar os deuses como existências soberanas. Devorei tudo que há disponível em leitura e vídeos na internet, sinto-me bastante confortada, e nunca me senti assim perante a doutrinas religiosas, estou um tanto surpresa.
Creio que o budismo seja bastante eficiente no tratamento do Transtorno de Personalidade Bordeline, porque ele ensina muito sobre autoconhecimento e sobre nossa separação dos pensamentos. Particularmente, creio que a receita para minha adaptação seja aprender a não abraçar e vivenciar intensamente meus pensamentos, aprender a reconhecer os gatilhos que me fazem ter sentimentos ruins e não deixá-los me dominar; exatamente o que o budismo ensina.
Se eu controlar minha mente, ela não irá me controlar
São Carlos, 27 de maio de 2017
